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Mpalabanda promove jornadas de reflexão
Aniversário de Simulambuco: Marcha em Cabinda juntou entre 50 a 60 mil pessoas
2005-02-02 10:03:03
Cabinda - Entre 50 mil a 60 mil pessoas participaram na marcha em memória dos signatários do Tratado de Simulambuco que marcou, domingo, o arranque da semana de reflexão organizada pela Mpalabanda - Associação Cívica de Cabinda (MACC) para comemorar o 120/o aniversário da assinatura do acordo, segundo números revelados ao Ibinda.com pela direcção da organização, ainda não confirmados pelas autoridades.
Marcada pela elevada adesão da população, a marcha, a maior manifestação de sempre em Cabinda, foi autorizada pelas autoridades locais e respeitou «escrupulosamente» tudo o que a lei exige, tal como tinha prometido o presidente da MACC, Agostinho Chicaia, em entrevista ao Ibinda.com.

«Celebramos o Dia de Simulambuco dois dias antes, no momento possível e permitido», no quadro de uma semana que se estenderá até ao dia 6 de Fevereiro, é referido numa mensagem alusiva ao 120/o aniversário do Tratado do Simulambuco, divulgada pela Mpalabanda.

Concentrados na Rotunda do Cine Chiloango, os participantes seguiram em marcha até Simulambuco, onde o célebre tratado foi assinado, no dia 1 de Fevereiro de 1885, entre príncipes, governadores e notáveis de Cabinda - que solicitaram a protecção de Portugal contra a cobiça estrangeira - e representantes da Coroa portuguesa.

«Antes, o Tratado de Chifuma definiu o Estado Binda nos seus limites internos pelo levantamento de uma parede - cumeeira de uma Casa que consta no mosaico das suas insígnias reais e nas indumentárias», é recordado no mesmo documento.

Conforme o ideal filosófico do povo do reino de Kakongo, escreve o padre Martins Vaz no seu livro «No Mundo dos Cabindas», esta fachada «não pode virar-se ao contrário, de bico para baixo», senão seria dizer que os direitos dos homens à vida foram abusados e violados. «Não se tira o direito a quem o tem, a razão a quem está na posse dela», sublinha ainda.

Para além de colocar «o telhado que reunifica os quatro cantos, ou melhor, os quatro pontos geográficos da Casa Binda», é ainda referido no texto da MACC, o Tratado de Simulambuco escolheu «exprimir-se no exterior da Casa, sobre as muralhas da pequena parcela da Coroa Portuguesa, cimentando, assim, «na sua alma o amor e a dedicação por Portugal», lê-se no discurso dos nativos de 1 de Fevereiro de 1939.

Entretanto, «Portugal, nação protectora, renunciou ao compromisso assumido há já dois séculos de proteger, internamente, a soberania de Cabinda, quebrando toda a esperança do seu protegido em aceder, externamente, à sua independência», recorda a MACC, criticando ainda o actual comportamento de Portugal, que «pretende de forma arrogante dizer que Cabinda nem é protectorado de direito internacional público nem de direito interno, isto é colonial».

De acordo com a sabedoria Binda, através da máscara «Vanga Nsi», Portugal menosprezou quem o ajudou a atravessar o rio. «As consequências de toda essa ingratidão são o drama de hoje: a transformação, pela força das armas, do mapa de Cabinda e o desprezo da dignidade humana Binda em dispor livremente do seu destino», é denunciado na mensagem.

A Mpalabanda, que se define como «actual voz cívica do povo Binda», deseja «retomar a tocha da história de 120 anos» e aproveitar a ocasião para «testemunhar a memória dos signatários do Simulambuco e a sua visão de protecção, paz, justiça e soberania do povo» de Cabinda. «Foi no diálogo e na paz que, sob a proposta do 2/o Barão José Alberto Puna, os portugueses construíram, em 1946, o monumento junto do qual nos encontramos. Queremos voltar a celebrar o 1 de Fevereiro fazendo dele um feriado local, tal como já tinha sido decretado pelo Governo português da então Província Ultramarina de Angola», em Outubro de 1942, anunciou a associação. «O Povo Binda continua firme no solo onde os seus ancestrais arquitectaram uma pátria de acordo com a sua vontade e direito», assegura.

Visitas e palestras completam programa

«Infelizmente, neste nosso território, a paz é longe de ser realidade. Por isso, a semana que hoje começamos abre grandes perspectivas para a consolidação da paz neste território de Cabinda», afirmou o presidente da MACC, Agostinho Chicaia, na abertura das jornadas de reflexão, a decorrer sob o lema «Simulambuco, identidade de um povo».

Além da marcha, as actividades comemorativas passam por visitas a lugares históricos e palestras sobre a identidade e a história do Povo Binda.

«História das celebrações do Tratado de Simulambuco decorridos 120 anos» foi o tema da primeira palestra, que teve lugar, esta terça-feira, no Centro Universitário de Cabinda (CUC), tendo como palestrante Alexandre Fernandes e como moderador Afonso Bumba. «Tratado de Simulambuco - Protectorado Colonial ou de Direito Internacional» foi o tema abordado mais tarde por Francisco Luemba, sob moderação de Carlos Henriques Sambo.

Para o próximo sábado, dia 5, estão programadas visitas a lugares históricos como Mbuco-Mbuadi. A semana de reflexão termina no dia seguinte, domingo, em Mbuela Mioco. O programa inclui uma conferência sobre «O significado Político e jurídico do Tratado Simulambuco, a cargo de José Marcos Mavungo e com Martinho da Cruz Nombo no papel de moderador, e uma «tarde recreativa» com os músicos Madúkila, Bana Zolana e Rinós. O presidente da Mpalabanda encerra o evento às 19h00.
(c) PNN Portuguese News Network
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