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Resistência quer dialogar com Angola

Nzita Tiago garante que FLEC/FAC continuará a luta após a sua morte

Paris - A Frente de Libertação do Enclave de Cabinda/Forças Armadas de Cabinda (FLEC/FAC) desmentiu ao Ibinda.com os rumores que correram em Cabinda e Angola dando conta de que o líder do movimento, Nzita Tiago, morrera. Enquanto uns anunciavam a morte do presidente da FLEC/FAC, o mesmo dava uma entrevista ao Ibinda.com em que abordava a visita do primeiro-ministro português, Durão Barroso, a Angola, a cumplicidade das empresas petrolíferas em Cabinda, a UNITA, a abertura ao diálogo com Angola e a FLEC/FAC sem Nzita.

Na entrevista, o presidente da FLEC/FAC, exilado em França, pronunciou-se sobre os vários assuntos que preenchem a actualidade de Cabinda.

Desde Julho passado, Ranque Franque, primeiro presidente do FLEC, aceitou o convite do Governo de Angola para «discutir o caso de Cabinda», mas o presidente da FLEC/FAC afirma não ter qualquer informação oficial sobre o assunto. «Não tenho qualquer novidade de Ranque Franque. Ouvi dizer por alto que ele passou por aqui (Paris) e que foi para Luanda», declarou.

Nzita convida oficialmente Durão Barroso a visitar Cabinda

Quanto às esperanças que deposita na visita oficial de Durão Barroso a Angola, prevista para o próximo dia 26, o presidente da FLEC/FAC afirma: «Escrevemos muitas vezes pedindo ao primeiro-ministro, como a outras entidades, e nunca recebemos qualquer resposta. Perante isto só lhe posso desejar boa viagem». O responsável considera que «da miséria que o povo de Cabinda passa hoje o primeiro responsável é Portugal, e se os cabindas tem esta situação com os angolanos foi porque o Governo português decidiu incluir Cabinda no território de Angola sem o consentimento dos cabindas».

Além de desejar «boa viagem» a Durão Barroso, Nzita Tiago pede ao Governo português que proponha ao Governo angolano que, «com o dinheiro do petróleo de Cabinda, organize uma conferência com todos os cabindas», num país exterior. «Para acabarmos com esta guerra», frisa.

Em referência ao convite formulado por Alexandre Batchi, porta-voz no movimento no interior, Nzita Tiago reforça o pedido: «Como chefe da revolução cabindesa, convido oficialmente o primeiro-ministro português a visitar Cabinda. Mas deve ir lá com os jornalistas e falar com o povo de Cabinda, apurar o que é que os cabindas pensam, constatar a situação que a população vive e medir o peso da responsabilidade portuguesa naquilo que os cabindeses estão a sofrer hoje com os angolanos».

Rumor do salário do MPLA a Nzita Tiago

Recentemente, em Cabinda e Angola, têm corrido vários rumores que acusam o presidente do movimento de receber regularmente financiamentos do MPLA, que o permite continuar a viver em Paris, numa situação financeira confortável. «O José Eduardo dos Santos, se tem sustentado Nzita Tiago por meios financeiros, que apresente as provas», reage Nzita Tiago. E sublinha: «Se isso fosse verdade, eu seria o primeiro a anunciar ao povo de Cabinda que recebia dinheiro do José Eduardo dos Santos. Se os angolanos têm documentos comprovativos que eu tenha recebido X do Governo angolano, que apresentem essas provas, que eu estou pronto para responder». O líder da FLEC/FAC deixa ainda a acusação: «Quem está a beneficiar do dinheiro de José Eduardo dos Santos são os mesmo que dizem que eu estou a ser financiado por eles».


A FLEC/FAC após Nzita

Uma das grandes questões, quase tabu no movimento, é a sucessão de Nzita Tiago, e o futuro do movimento após o actual presidente. Nzita Tiago garante que haverá continuidade com o seu desaparecimento ou morte. «A FLEC/FAC é uma organização do povo de Cabinda, Nzita Tiago nunca tomou decisões só por sua livre vontade», afirma o presidente do movimento, prosseguindo que «a FLEC/FAC tem um comité central, que inclui organizações políticas e militares, que tomam as decisões e passam à sua execução. Se eu desaparecer hoje a FLEC/FAC continuará, no mesmo dia e no mesmo minuto haverá alguém que tomará o meu lugar e será o responsável das decisões».

As divisões na resistência

Sobre as divisões na resistência e a multiplicação das FLEC’s, Nzita Tiago lembra que «a África negra é especial, temos assistido ultimamente a uma série de golpes de estados, todos querem ser presidentes e generais» e que «o povo quer manter neste lugar Nzita Tiago, porque ele não intruja, não rouba, não se rende, e transmite o que o povo quer».

Quanto à multiplicação das FLEC’s, Nzita riposta com o exemplo de que «Angola tem mais de oitenta partidos políticos». Porém, o presidente do movimento sustenta que «hoje muitos se chamam FLEC Costa, FLEC Plataforma, FLEC António... todos falam da FLEC, isso quer dizer que ninguém saiu realmente da FLEC».

Em referência à realização de um grande encontro com todas as sensibilidades da resistência em torno de uma provável assembleia da resistência, o presidente do movimento afirma que «todos estão de acordo para uma reunião conjunta, mas não temos meios financeiros». E adianta: «Nós encarregamos o bispo de Cabinda para reunir, nesse sentido, toda a gente. Também fizemos uma reunião em Libreville neste sentido. Eu defendo a união entre todos».

«Quando escrevi ao bispo a propor a elaboração de uma reunião com todos os cabindas, escrevi também ao Presidente da República, Presidente da Assembleia, primeiro-ministro, Mário Soares, entre outros, e não tivemos qualquer resposta», lamenta ainda o líder da FLEC/FAC.

Contudo, o presidente da FLEC/FAC afirma ter recebido «as resoluções de uma conferência organizada em Cabinda, onde condenam e querem julgar José Eduardo dos Santos. Agora espero que o que eles resolveram nessa reunião seja aplicado e os religiosos que participaram nessa reunião tem a obrigação de pôr em prática o que foi decidido».

A cumplicidade das empresas petrolíferas em Cabinda

Sobre a questão da cumplicidade das empresas petrolíferas em Cabinda, o presidente da FLEC/FAC afirma que esse problema é antigo. «Já um oficial cubano, que esteve em Cabinda, me tinha confidenciado que quem pagava a presença dos cubanos em Cabinda não eram os angolanos, mas sim as petrolíferas», afirma. «Quando os americanos quiserem resolver o problema de Cabinda, tudo ficará resolvido no momento e os angolanos partem», frisou o responsável.

Todavia, Nzita Tiago adianta que «o Governo português deveria deixar de se contentar com as migalhas que os angolanos lhes dão, com a ameaça de se os portugueses intervirem, com os americanos, na questão, lhes tiram essa migalha. Os portugueses deveriam abrir uma oportunidade de falar connosco para veremos o que poderíamos fazer juntos».

Segundo o presidente da FLEC/FAC, os interesses no petróleo de Cabinda são cada vez mais importantes, agravando a resolução do problema. «Tenho a informação de que Sassou Nguesso, Pitra Petroff e Pena querem criar uma sociedade que vai explorar o petróleo no Dinge», afirma Nzita Tiago, acrescentando que «estão com um projecto de pagarem aos militares para acabarem com as populações que estão no Dinge, neste sentido os militares já transferiram o campo militar que tinham no Dinge para o Mayombé».

Segundo o presidente do movimento, «dizem que nesse clã também estão franceses, portugueses e cabindas». Nzita Tiago declarou ainda ao Ibinda.com que «várias vozes afirmaram» que alguém muito próximo de José Eduardo dos Santos também já está envolvida neste projecto.

Porém, Nzita Tiago afirma que «apoiar a guerra de Cabinda e apoiar a posição dos angolanos de intervirem nos outros países» está a provocar uma reacção junto de «muitos africanos que começam a considerar que a guerra colonial portuguesa ainda continua». Segundo Nzita, «há sinais que Portugal quer reconquistar as suas antigas colónias, mas por intermédio dos angolanos e com angolanos de obediência dos portugueses. E pergunta: «Há acordos de cooperação militar entre Angola e Portugal, porque é que Portugal nesses acordos não impede que Angola enviar militares em Cabinda?».

A FLEC/FAC e a UNITA

O actual presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), principal partido da oposição em Angola, Isaías Samakuva de passagem pela Europa, afirmara na antena da Radio France International (RFI) que se a sua agenda lhe permitisse se encontraria com Nzita Tiago. No entanto, antes de deixar Paris telefonaria amigavelmente ao líder da FLEC/FAC. Nzita Tiago afirmou não ter recebido qualquer telefonema de Isaías Samakuva.

«Samakuva era chefe de gabinete de Savimbi quando eu me desloquei à Jamba, ele conhecia a minhas relações fraternais com Jonas Savimbi, de quem eu era muito amigo, daí que foram enviados muitos militares cabindas para serem formados na Jamba», afirmou o presidente da FLEC/FAC. Quanto às futuras posições da UNITA sobre Cabinda, Nzita Tiago considera que «os sucessores da UNITA devem seguir o programa que Savimbi traçou para Cabinda. Savimbi dizia que o povo de Cabinda devia pronunciar-se, e recusava que os seus militares combatessem os cabindas. Samakuva sabe que os cabindas querem a paz».

Arthur Tchibassa «é inocente»

Quanto à prisão de Arthur Tchibassa e a sua condenação em Washington, Nzita Tiago responde: «Eu conheci muito bem o Arthur Tchibassa. O Arthur era um secretário responsável das relações exteriores, quem era o presidente desse movimento era o Tibúrcio que neste momento está com os angolanos. Peço aos americanos o perdão para Arthur, porque ele não teve nada haver com o caso que é acusado. Arthur é inocente!».

Disponível para o diálogo

Nzita Tiago afirma estar disponível para dialogar com os angolanos e lembra que «Agostinho Neto disse em Cabinda, no Belize, que os angolanos não podem aguçar as lanças em Cabinda, mas devem sentar com os cabindas e conversarem». E deixa uma mensagem ao Presidente de Angola: «A José Eduardo dos Santos digo-lhe que ele me envie alguém, para que me transmite aquilo que ele realmente quer, como eu lhe transmitirei o que se deve fazer em Cabinda, e encontraremos juntos uma solução».

E sublinha: «José Eduardo dos Santos em vez de enviar uma delegação de cinco, seis ou dez elementos para negociar, prefere enviar 40 mil militares em Cabinda para tentar acabar com a FLEC. Mas, se José Eduardo dos Santos vier aqui (Paris) estou disposto para me encontrar com ele onde estiver». Nzita Tiago acredita que é possível construir a paz com os angolanos. «Nós podemos construir a paz com os angolanos, afinal somos todos da mesma família. Eu mesmo tenho angolanos na minha família, como muitos angolanos têm cabindas nas deles. Antes de mandarem armas tem de perguntar o que os cabindas querem», concluiu.

«Não morri!»

Quanto às recentes notícias da sua «morte», Nzita Tiago afirma ter conhecimento que «José Eduardo dos Santos tem um plano que está a pôr em prática para a solução do problema de Cabinda, onde todas estas situações estão previstas». Diz também que está ao corrente que «os angolanos têm um funcionário na Embaixada de Angola em Paris só para saber quais são os passos que eu dou... Esse sabe, que eu estou bem vivo».

(c) PNN Portuguese News Network

2003-10-13 18:14:02

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