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| FLEC/FAC acusa Liberal Nuno de ser «agente duplo» ao serviço de Angola |
| 2003-05-03 10:58:23 |
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| Cabinda - O secretário-geral da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda - Forças Armadas de Cabinda (FLEC/FAC), Alexandre Tati, em entrevista exclusiva à PNN, minimiza a importância das declarações à imprensa proferidas por Liberal Nuno no dia 24 de Abril. Por outro lado, o secretário de Estado do Ministério da Segurança do movimento revela um documento confidencial e comprometedor onde acusa Liberal Nuno de ser um agente dos serviços secretos angolanos encarregado de várias missões, entre as quais da eliminação física de Nzita Tiago. |
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«Nós (FLEC/FAC) desde muito tempo que conhecíamos a missão de Liberal Nuno, a soldo dos serviços secretos angolanos», afirmou Alexandre Tati, garantindo ainda à PNN que a FLEC/FAC, mesmo com o conhecimento das «actividades» de Liberal Nuno, preferiu «utilizá-lo como pombo-correio», no intuito existir sempre uma forma de diálogo com a parte adversária.
«A missão de Liberal Nuno era infiltrar-se na FLEC/FAC», adiantou o secretário-geral do movimento, procurando desta forma «obter protagonismo no movimento, influenciar o presidente em medidas pró MPLA, neutralizar o presidente e até mesmo liquidá-lo», precisou. Segundo Tati, «Angola deu um prazo a Liberal Nuno para atingir estes objectivos. Perante o insucesso da sua missão, e num acto de desespero, Liberal Nuno fez essa conferência de imprensa com a pretensão de provocar uma cisão no seio da FLEC/FAC e denegrir a imagem do nosso presidente».
Para Alexandre Tati, «Carlos Puna é o legítimo representante da FLEC/FAC em Lisboa. Por outro lado, referiu, «no passado de 25 de Abril o Comité Central da FLEC/FAC decidiu unanimemente, tal como está previsto nos estatutos do nosso movimento, nos artigos 31, 32 e 33 alínea 7, a exclusão e suspensão de todas as funções políticas de Liberal Nuno na FLEC/FAC, este receberá brevemente uma carta que lhe o informará desta decisão já tomada e em aplicação da mesma desde o passado dia 25».
Carlos António Moisés, secretário de Estado do Ministério da Segurança da FLEC/FAC no interior, confirma a mesma posição. Numa carta dirigida a Nzita Tiago datada de 18 de Fevereiro de 2002, informa que Liberal Nuno foi director e proprietário da empresa Wapussoca, «um grande homem de negócios angolano, originário do Huambo e que tinha laços estreitos com a UNITA (...) o mesmo Wapussoca manifestou ser da UNITA só depois da assinatura dos acordos de Bicesse e do protocolo de Lusaka».
António Moisés adianta no mesmo documento que «Liberal Nuno, agente clandestino dos Serviços de inteligência do MPLA, foi infiltrado nesta empresa para desvendar o mistério da Wapussoca que também tinha muito boas relações com os dirigentes do MPLA». Liberal Nuno, revela a mesma carta, «foi encarregue por Wapussoca de ir a Windoek (Namíbia) comprar viveres para a UNITA quando esta se encontrava já nas cidades. A primeira vez a operação foi bem sucedida. A segunda vez, foi-lhe entregue 1,7 milhões de dólares para a mesma operação. Já na Namíbia, este desvia a importância e foge para Portugal juntamente com a mulher e filhos».
O secretário confirma ainda que «a partir de Portugal, Liberal Nuno, onde leva uma vida clandestina, recebe a missão de aproximar a FLEC/FAC com os seguintes objectivos: Infiltrar o movimento e lutar para ocupar uma posição relevante. Influenciar as ideias e tomadas de posição do presidente da FLEC/FAC para com o Governo. Flexibilizar a posição da FLEC/FAC sobre a independência de Cabinda. Caso possível, neutralizar o presidente da FLEC/FAC fisicamente para criar o pânico no seio do movimento, pois para os seus mentores, o desaparecimento físico do líder significa o fim da FLEC/FAC».
O responsável pelo Ministério da Segurança da FLEC/FAC revelou igualmente que «Liberal Nuno, mandatado por Angola, tentou recentemente corromper os membros da direcção da FLEC/FAC onde teria proposto 20 milhões de dólares ao presidente do movimento a fim que este aceitasse as condições de Angola para Cabinda. A mesma proposta era extensiva aos outros membros da direcção aos quais oferecia dois milhões de dólares para se entregarem e aceitarem as condições angolanas». António Moisés precisa ainda que «o presidente do movimento, recusando a proposta, terá perguntado a Liberal Nuno se esse dinheiro era para trair os mártires da libertação de Cabinda ou para trair os actuais combatentes pela libertação».
No campo militar, o secretário-geral da FLEC/FAC, segundo na hierarquia do movimento, baseado no interior, adiantou ainda que ocorreram «alterações estratégicas no organigrama das Forças Armadas de Cabinda, onde Estanislau Miguel Boma, Ministro da Defesa, passou a acumular a Chefia do Estado Maior, posto ocupado até Fevereiro passado por Francisco Luemba, que entretanto passou à disponibilidade».
Alexandre Tati minimizou igualmente as declarações de Liberal Nuno: «A sua tentativa difamatória com vista de provocar uma cisão na FLEC/FAC não é novidade nem foi uma surpresa, pois já tínhamos o perfil de Liberal Nuno e aguardávamos pacientemente uma atitude deste tipo». O mesmo responsável adiantou ainda que «se os angolanos pretenderem negociar qualquer futuro para Cabinda com Liberal Nuno, não terá qualquer validade nem reconhecimento dado que Liberal Nuno não representa ninguém». |
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