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Testemunhos inquietantes chegam de Luanda

Suspeitas em torno da morte de Dom Paulino Madeca

Cabinda – Dom Paulino Madeca, primeiro bispo de Cabinda, morreu numa ocasião que o território é submetido a uma nova fase de repressão e a sua Igreja é um dos alvos principais. Relato de observadores em Cabinda que denunciam os lados obscuros da morte do bispo.

Quarta-feira, 9 de Janeiro, Cabinda derramava as primeiras lágrimas pelo anúncio da morte de D. Paulino Madeca. Tudo se agitou. Mas quem mais se agitou, como sempre e pela negativa, foi o poder político e o eclesiástico. Foram imediatamente montados dispositivos de «controlo e de perseguição de todos os inimigos de predilecção».

A primeira arma foi a desinformação relativamente à chegada dos restos mortais do bispo a Cabinda. Uns diziam sábado e outros sexta-feira, tal como veio a suceder. No aeroporto, destacava-se a divisão patente da «defunta igreja católica». Um pequeno com lenços, representando a igreja do Filomeno Vieira Dias e uma multidão trajado a preto dos chamados Igreja de S. Tiago. No interior do aeroporto, os escuteiros também estavam profundamente distintos: os do Filomeno, «uma miscelânea de jovens mussorongos e umbundos», que até há pouco, alguns, sobretudo a classe dirigente, estavam em S. Tiago, mas que foram à Sé Catedral por motivos financeiros e de promoção política e aqueles, a maioria, de S. Tiago, cabindas.

Foi visível a todos que estavam no aeroporto de Cabinda, a «satisfação do Filomeno, que passava por todos distribuindo cumprimentos. Nem um segundo de consternação ao menos por fingimento» comentou testemunha.

Chegou no avião de Higino Carneiro, às 06:00 horas de sábado, Ângelo Becciu, Núncio Apostólico, acompanhado por alguns bispos. Deslocaram-se ao Palácio do Governo, onde tomaram um copioso pequeno-almoço.

A missa das exéquias decorreu não sem os habituais incidentes de contestação: os de tira-preta estavam todos fora, a maioria, muitos ocupavam a ala direita da igreja N. S. Rainha do Mundo, padre Carlos Mbambi, «como habitual, mascarando o ódio que nutre pelos colegas, ao querer, à hora do abraço da paz, ir saudar os padres ditos castigados». Estes, publicamente, recusaram. Dizem que já sabiam o que Mbambi foi dizendo: «os padres de Dom Paulino vão comer areia e, agora, com a sua morte, vão desaparecer»

O cortejo fúnebre seguiu até ao cemitério da Missão da Imaculada. Ali, foi o auge. A multidão de preto ocupara toda a extensão do cemitério até ao hotel Pôr-do-Sol. Entoaram cantos revolucionários e de contestação. À passagem dos bispos angolanos e outras personalidades ligadas quer a Filomeno Vieira Dias quer ao Governo angolano gritavam: «Yuda, Yuda, bama vonda Madeca» (Judas…Judas mataram Madeca) «Yuda…Yuda bama sumbisa Madeca» (Judas… Judas venderam Madeca), o pequeno grupo que estava no interior do cemitério temeu. Com um dispositivo de polícias à paisana, fizeram encostar as viaturas de luxo até à porta do cemitério. E ali, sem olhar para o povo manifestante, sobretudo Becciu, que durante todas as cerimónias não conseguia levantar o rosto «por vergonha e de não ter-se sido capaz de visitar D. Paulino, apesar de a Nunciatura estar a dois passos, entraram a correr para os carros e saíram daí em correrias».

Testemunhos inquietantes chegam de Luanda.

Surge a suspeita: «mataram Madeca». «Supostamente este assassinato teve duas fases» denúncia testemunha, a primeira, «foi aquando da ordenação do diácono Francisco Sunda. Depois do almoço, D. Paulino começou a queixar-se de fraqueza e de falta de apetite. Pensou-se que fosse a cola da placa dos dentes. Mas isto não era, porque se mudou uma outra e D. Paulino continuava com os mesmos sintomas. Aí começou o seu drama. As pessoas, mais próximas dele, dizem que o velho Prelado já não foi o mesmo depois daquele fatal almoço. Estava à frente do mesmo Milan que é o verdadeiro bispo da diocese de Cabinda. Manda e descomanda».

A segunda, foi em Luanda, no hospital militar. «Colocaram-no (D. Paulino Madeca) num quarto sem as mínimas condições. Um amigo dos cabindas é que teve que comprar um cobertor e outras coisas para a cama. O velho já estava a recuperar. Já reconhecia as pessoas e tinha muito apetite. Fizeram-lhe um TAC (Tomografia Axial Computorizada) e concluíram que era apenas um AVC (Acidente Vascular Cerebral) sem derrame cerebral. Por isso, poderia recuperar com algumas drogas. No entanto, qual não foi o espanto da irmã Marta que o acompanhou, quando de manhã, ao levar-lhe o pequeno-almoço, lhe foi comunicado que se encontrava na sala operatória. Quase que lhe caía das mãos a travessa. Nem a médica da igreja soube da operação a D. Paulino para não falar de algum membro familiar próximo».

«Tudo, contra todas as éticas, foi decidido por D. Filomeno» disse fonte ao Ibinda.com. O médico «jamais o foi visitar quando doente. No dia 25 de Dezembro foi vê-lo durante dois minutos e de pé e fez-se de mouco aos pedidos de muitos para se levar D. Madeca para fora». A Arquidiocese de Luanda, onde está um Arcebispo Cabinda, «também abandonou D. Paulino. Pelo incrível que pareça, foi a irmã Marta e mais uma irmã do padre Tati que deram banho ao corpo de D. Paulino».

Durante o velório, na igreja dos Remédios, apenas ficaram alguns cabindas sozinhos. Repetiu-se o cenário da morte de D. Puati e de D. Franklin. «Assim vão acabando os bispos cabindas». Os parentes do bispo exigiram a autópsia do corpo. «Seria o tira-teimas, mas os bispos, em coro, recusaram em nome de uma pretensa ordem da igreja. Diziam que seria inédito. Era preciso autorização do Vaticano. Este anuiu. Porém, os médicos do hospital lá arranjaram artimanhas para negarem a autópsia. Assim, tem-se todos os motivos para se chegar à conclusão que se desfizerem de uma figura incómoda».

A Rádio Nacional de Angola (RNA), em Cabinda, «começou a sua campanha, difundindo a voz de D. Paulino a pedir que o «povo de Cabinda receba como um dom de Deus D. Filomeno». Este, no entanto, depois do funeral, acompanhado de padre Mbambi, no átrio da igreja Rainha do Mundo, Sé catedral, desfazia-se em gargalhadas», atitude que chocou vários presentes.

«Muita coisa, no entanto, começa a agitar com a morte de D. Paulino». Recentemente passou por Cabinda dois representantes da Igreja Anglicana, disposta a assumir protagonismo. Algumas figuras proeminentes em Cabinda já foram contactadas, confirmou o Ibinda.com.

(c) PNN Portuguese News Network

2008-01-16 17:38:27

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Comentários
  
Anonimo  2012-04-17 09:52:36
Tudo tem o seu tempo. Tudo tem começo e tem fim. Matamos os outros e nos esquecemos que n´´os também havemos de morrer. A igreja catolica est´´a mais representada por demonios do que por santos. Utilizam as batinas para praticaem pr´´aticas feiticistas (magia). Mas Cristo ha-de desmascarrar estes vampiros, Cristo ha-de purificar a sua igreja. Como Ele proprio disse de que deixai o joio crescer junto com o trigo, na hora de colheira, o joio ter´´a o destino que lhe merece. E até pode ser ainda neste mundo que estes vampiros hao-de ser descobertos. DEUS FAÇA JUSTIÇA

Anonimo  2012-04-17 09:52:27
Tudo tem o seu tempo. Tudo tem começo e tem fim. Matamos os outros e nos esquecemos que n´´os também havemos de morrer. A igreja catolica est´´a mais representada por demonios do que por santos. Utilizam as batinas para praticaem pr´´aticas feiticistas (magia). Mas Cristo ha-de desmascarrar estes vampiros, Cristo ha-de purificar a sua igreja. Como Ele proprio disse de que deixai o joio crescer junto com o trigo, na hora de colheira, o joio ter´´a o destino que lhe merece. E até pode ser ainda neste mundo que estes vampiros hao-de ser descobertos. DEUS FAÇA JUSTIÇA

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